O acesso a crédito no agronegócio está mais restrito. De acordo com o sócio sênior da Mapa Capital, Manoel Pereira de Queiroz, embora isso seja mais preocupante para quem atua com grãos, o cenário já afeta as sucroenergéticas e, principalmente, os produtores de cana-de-açúcar.
“O setor de grãos está vivendo uma ‘tempestade quase-que-perfeita’. Eles têm dívidas passadas sendo carregadas, têm um custo de produção elevado e, se a guerra continuar, existe risco de falta de fertilizantes”, afirma, acrescentando que a restrição a esses produtos no Brasil “não é provável, mas é possível”.
Além disso, há a questão da taxa de juros elevada, com a Selic atualmente definida em 14,5% ao ano. De acordo com Queiroz, embora anteriormente houvesse rumores de uma redução para 12%, agora o mercado fala em 13,5% ou 14% – uma diminuição que, se confirmada, poderia facilmente ser englobada pelo spread bancário, atualmente em torno de 18% ao ano.
“Quando o risco aumenta muito, normalmente, o spread sobe. Essa situação de taxa de juros alta, combinada com custos elevados e preços de commodities estáveis, faz com que o mercado fique muito desconfiado”, resume.
Para ele, o cenário pode ser constatado pelo crescente número de recuperações judiciais entre produtores rurais. “A minha perspectiva – e espero estar errado – é que isso vai crescer. A situação no começo do ano que vem pode ser pior do que a que temos hoje”, projeta.
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