A Raízen registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 7,33 bilhões no quarto trimestre do ano-safra 2025/26. No mesmo recorte do ano anterior, o prejuízo foi de R$ 2,51 bilhões.
A receita líquida da companhia totalizou R$ 51,33 bilhões no trimestre, uma queda de 11,1% frente aos R$ 57,73 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia somou 507,8 milhões no período, retração de 71,5% frente ao mesmo trimestre em 2024/25, quando o resultado foi de R$ 1,78 bilhões.
No resultado consolidado anual do ciclo 2025/26, a empresa registrou um prejuízo consolidado de R$ 27,13 bilhões. Em 2024/25, o prejuízo da companhia foi de R$ 4,18 bilhões.
A receita operacional líquida da Raízen no atual ano safra somou R$ 225,85 bilhões, recuo de 11,5% frente aos R$ 255,27 bilhões auferidos no ano safra anterior.
O Ebitda anual totalizou R$ 1,09 bilhão no ciclo atual, uma retração de 92% quando comparado aos R$ 13,67 bilhões registrados em 2024/25.

Na mensagem que acompanha os resultados, a empresa afirmou ter enfrentado impactos das condições climáticas adversas, da volatilidade dos preços das commodities, dos juros elevados e do mercado ilegal de combustíveis, mas ressaltou medidas para reduzir custos, simplificar o portfólio e reestruturar o endividamento.
A dívida líquida da Raízen totaliza R$ 58,23 bilhões ao final do quarto trimestre do atual ano safra, um avanço de 69,9% quando comparado com o quarto trimestre de 2024/25, onde a dívida totalizava R$ 34,2 bilhões.
A alavancagem da companhia – calculada pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado – era de 5,2 vezes em 31 de março deste ano, ante 3,2 vezes no encerramento da safra anterior.

Segundo a administração, a companhia reduziu custos e despesas em aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo da safra e diminuiu o Capex (investimentos) em R$ 3,3 bilhões na comparação com o ano anterior, ou 27,7%, para R$ 8,61 bilhões.
As operações de açúcar e etanol receberam a maior parte deste montante, com R$ 6,82 bilhões, queda de 28,8% na comparação anual.

A Raízen também afirmou que a readequação do portfólio deverá gerar impacto positivo estimado em R$ 12 bilhões sobre sua posição financeira, dos quais cerca de 40% já foram captados e os demais dependem da conclusão da venda de ativos na Argentina.
Nas operações de etanol, açúcar e bioenergia, a companhia informou ter avançado na gestão de custos e na eficiência agroindustrial, mesmo diante da queda de produtividade provocada pelas condições climáticas, além de concentrar investimentos em ativos considerados mais competitivos.
Assim, mesmo desconsiderando os resultados das unidades MB e Santa Elisa, que foram paralisadas, a Raízen calcula uma redução de 9,8% na moagem de cana-de-açúcar ao longo da safra, para 70,5 milhões de toneladas.

Com isso, a receita das operações de açúcar e etanol somou R$ 6,8 bilhões no trimestre, com queda ano a ano de 49,3%, e R$ 50,47 bilhões no acumulado da safra, com retração de 22,5%.
Por sua vez, o Ebitda ajustado do segmento foi de R$ 594,6 milhões de janeiro a março, com alta de 23,4%, enquanto o resultado da temporada teve queda de 23,9%, indo a R$ 4,54 bilhões.

Já no segmento de distribuição de combustíveis, a Raízen destacou o fortalecimento da oferta integrada, combinando eficiência operacional, a marca Shell e maior proximidade com a rede de revendedores.
No total, foram comercializados 7 bilhões de litros no trimestre e 28,8 bilhões de litros no acumulado do ano-safra. O Ebitda ajustado do segmento, por sua vez, foi de R$ 5,72 bilhões no recorte de abril a março.

A empresa também reforçou o andamento da recuperação extrajudicial iniciada em março de 2026. Em junho, protocolou o plano de reestruturação após obter apoio de mais de 80% dos credores, incluindo detentores de títulos internacionais, bancos e investidores do mercado de capitais.
O objetivo é reorganizar a dívida, melhorar a liquidez no curto e médio prazo e estabelecer uma estrutura de capital considerada sustentável para o longo prazo.
Entre as principais medidas previstas no plano estão um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, além da possibilidade de mais R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, a conversão de 45% dos créditos reestruturados em participação acionária, o refinanciamento dos 55% restantes por meio de novos títulos de dívida e a continuidade da agenda de desinvestimentos e reorganizações societárias.
Nos resultados contábeis, a companhia destacou que, após o deferimento da recuperação extrajudicial, passou a registrar contabilmente os juros incidentes sobre as dívidas abrangidas pelo processo, sem desembolso de caixa durante o período de suspensão de cobranças.
A Raízen também reconheceu perdas por impairment de R$ 22,5 bilhões, sendo R$ 12,5 bilhões relacionados às incertezas sobre a continuidade operacional e R$ 10 bilhões ligados à expectativa de não realização de determinados ativos.
Segundo a empresa, essas provisões não têm efeito sobre o caixa e poderão ser revertidas caso as premissas utilizadas nos testes de recuperabilidade sejam alteradas.
Kaique Cangirana
Com informações adicionais NovaCana