A divulgação de resultados da Raízen referente à safra 2024/25 acompanhou um momento de transição de comando. Em novembro, Nelson Gomes se tornou o CEO da companhia, substituindo Ricardo Mussa, enquanto Rafael Bergman assumiu a posição de CFO.
As mudanças fazem parte de um esforço do grupo Cosan para reduzir o endividamento da gigante sucroenergética e do setor de distribuição. O movimento foi acompanhado pela paralisação de novos investimentos e pela venda de ativos – um dos anúncios mais recentes foi em 12 de maio, com a venda da usina Leme por R$ 425 milhões.
“Após uma mudança significativa na gestão e na estratégia, acreditamos que a atenção dos investidores deve estar mais voltada para as medidas que a Raízen tomará para lidar com a alavancagem”, apontam os analistas do BTG Pactual, em relatório apresentado logo após a divulgação dos resultados.
Eles detalham que a companhia está ajustando os investimentos, reduzindo a área de trading e retirando recursos de ativos considerados não essenciais. “São medidas positivas, mas não devem ser suficientes”, avaliam e seguem: “A capacidade de obter melhor produtividade de cana-de-açúcar e diluir custos, juntamente com alguma monetização de sua plataforma etanol de segunda geração (E2G) e melhores margens de downstream, são cruciais para a estabilização”.
Em 2024/25, a Raízen acumulou um prejuízo líquido de R$ 4,26 bilhões, revertendo o lucro de R$ 520,8 milhões contabilizado na temporada anterior. Além disso, uma perda de R$ 2,54 bilhões foi registrada no último trimestre da safra, alta de 189% ante o prejuízo de um ano antes.
Já o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da safra foi de R$ 13,67 bilhões, queda de 20,2% na comparação anual. Uma parte relevante desta retração se deu justamente no último trimestre da temporada, que somou R$ 1,78 bilhão, baixa de 53,3% no ano.
“Há muitos elementos em ação, mas a queda no trimestre foi impulsionada por ajustes relacionados a fornecimentos, baixas contábeis, perdas com a descontinuação de atividades de trading de açúcar e combustíveis e desalavancagem operacional”, enumeram os analistas do BTG Pactual.
Eles ainda ressaltam que a queima de caixa anual foi de, aproximadamente, R$ 6 bilhões. “O trimestre ressalta os desafios que a Raízen enfrentará para estabilizar o balanço, otimizar o portfólio de ativos e, principalmente, corrigir a perda de caixa de sua unidade de upstream, que sofreu com condições adversas na safra”, complementam.
Para uma melhor compreensão dos números da Raízen – incluindo dívidas e investimentos –, o NovaCana criou 57 gráficos, elaborados a partir dos dados divulgados pela companhia em 13 de maio. Por meio deles, é possível observar os resultados financeiros, industriais e agrícolas até o quarto trimestre da temporada, além dos rendimentos das safras passadas.
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