Postos de combustíveis

Postos de combustíveis

Primo e Beto Louco, ligados ao PCC, fazem delação de esquema de sonegação na Bahia


Agência Estado - Publicado: 25 Mai 2026 - 08:24
Primo e Beto Louco, ligados ao PCC, fazem delação de esquema de sonegação na Bahia

Mandados de busca foram cumpridos em quatro municípios

As delações premiadas dos empresários Roberto Augusto Lemes da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, levaram o Ministério Público da Bahia a realizar a Operação Khalas, que resultou na prisão de três servidores públicos do estado suspeitos de envolvimento em um esquema criminoso de sonegação de impostos.

Conforme mostrou o Estadão, as fraudes teriam causado um prejuízo de R$ 400 milhões aos cofres públicos.

Beto e Primo foram apontados como os principais elementos de um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC), que visava a lavagem de dinheiro por meio da cadeia produtiva de postos de combustíveis.

O Estadão procurou a defesa de Beto Louco e de Mourad. O criminalista Guilherme San Juan, que representa os dois, disse que não pode se manifestar sobre os termos do acordo.

O esquema foi alvo, em agosto de 2025, da Operação Carbono Oculto, realizada em dez estados do país e que contou com uma ação integrada de diferentes órgãos e forças policiais.

Suspeitos de comandarem o esquema, Beto e Primo foram considerados foragidos após a operação tiveram a prisão decretada em outubro do ano passado durante a Operação Primus, deflagrada pelo MP da Bahia.

Mohamad Hussein Mourad, o Primo, era dono da distribuidora de combustíveis Aster, que chegou a receber R$ 2,22 bilhões dos R$ 17,7 bilhões em movimentações suspeitas do BK Bank, uma das fintechs investigadas na Carbono Oculto. A Aster teve sua atuação suspensa pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 2024.

Por essa razão, ele foi descrito como o “epicentro das operações”, e teria montado a rede criminosa com familiares, sócios e profissionais cooptados para fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

Ele também seria dono de uma rede de postos de combustíveis que estariam em nome de laranjas e ligado também à Copape, uma formuladora de combustíveis.

As investigações que levaram a deflagração da Carbono Oculto apontaram que o grupo formado por Copape e Aster era gerido por Primo e também por Beto Louco, apontado como colíder da organização criminosa.

A organização criminosa do qual ambos faziam parte teria adulterado 11 milhões de litros de combustível na Bahia desde 2023, conforme investigações do MP, Polícia Civil e Secretaria Estadual da Fazenda. O grupo Copape-Aster também vinha sendo monitorado pela ANP.

Após a prisão decretada, eles tiveram a delação premiada rejeitada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Procuradoria Geral da República, mas acabaram fechando um acordo com o MP da Bahia, especificamente com o Grupo de Atuação e Combate à Sonegação Fiscal do órgão.

Efeitos da delação

Primo e Beto Louco forneceram informações que levaram o MP a deflagrar a Operação Khalas. Os empresários delataram Olavo Oliva, um auditor fiscal que atua na Coordenação de Petróleo e Combustíveis (COPEC). Ele foi preso.

Outro acusado, o empresário Cyro Valentini, dono da refinaria Dax, também foi alvo da operação, mas ele se encontra em Portugal.

Oliva seria o controlador da Dax Oil, principal refinaria da Bahia e que mantém negócios com o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, que teve a prisão decretada pelo Supremo tribunal Federal (STF) e está foragido.

As defesas de Oliva e de Valentini não foram encontradas assim como a de Magro.

De acordo com os investigadores, “o esquema visava ocultar a importação de insumos, como nafta e solventes químicos, que eram desviados para unidades de mistura clandestinas, conhecidas como ‘batedeiras’”.

“Nesses locais, os produtos eram misturados e vendidos diretamente em postos de combustíveis como se fossem diesel e gasolina, sem o devido recolhimento tributário. Além disso, autuações fiscais milionárias teriam sido suprimidas mediante pagamento de propina”, informaram os promotores da Bahia.

Com Oliva, a polícia baiana apreendeu R$ 263 mil em espécie entre reais e moedas estrangeiras. Por conta da operação, os agentes cumpriram 13 mandados de buscas em Salvador, Feira de Santana, Candeias – onde dois funcionários públicos chegaram a ser afastados de suas funções – e Camaçari.

Cinco pessoas físicas e sete jurídicas tiveram seus bens bloqueados pela Justiça.