O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e seis ministros de estados têm reunião com mais de uma dezena de empresários e representantes do setor de etanol nesta terça-feira, 9.
O encontro, marcado para começar às 11h, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), discutirá principalmente o aumento da mistura do etanol anidro à gasolina de 30% (E30) para 32% (E32).
Mas a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros e até o fim da escala 6×1 podem entrar na pauta, segundo participantes do encontro e fontes do governo ouvidos pelo Money Times.
Tema principal da reunião, o E32 interessa aos dois lados. No governo, a redução na demanda por gasolina A é estimada em 1 bilhão de litros. Assim, os dois pontos porcentuais de aumento na mistura são considerados estratégicos para o controle da inflação após a alta no petróleo, com a guerra no Irã e conflitos no Oriente Médio.
Do lado dos produtores, o volume representa um alívio para o aumento da oferta e para a queda nos preços do biocombustível. Em 2026, a produção de etanol no Brasil pode aumentar em 5 bilhões de litros, com o início de operação de unidades do biocombustível de milho no Centro-Oeste e, também, com a maior oferta do etanol de cana nas regiões tradicionais.
O excedente anual do Brasil, que produz 36,8 bilhões e consome 33 bilhões de litros, deve ficar próximo a 4 bilhões de litros.
Uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em maio, trataria do aumento da mistura de E30 para E32, mas a avaliação será feita somente no encontro do órgão deliberativo previsto para a primeira quinzena deste mês. Ou seja, o martelo sobre o E32 deve ser batido até a próxima semana; e a reunião de hoje deve decidir os próximos passos.
Outro tema sensível é a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre o Brasil, anunciada há uma semana. Ela ainda depende da autorização do Senado norte-americano, mas deve ter início em julho, seguida de uma sobretaxa de 12,5% aplicada pelo governo Trump a 60 países, entre eles o Brasil.
Os Estados Unidos sustentam que o Brasil pratica uma taxação desleal sobre o etanol norte-americano, o que impede a importação do biocombustível daquele país.
No meio dessa polêmica, produtores de açúcar das regiões Norte e Nordeste temem perder, durante as negociações do etanol, a cota preferencial da commodity que é importada pelos Estados Unidos. Os norte-americanos compram 155,9 mil toneladas anualmente sem tarifas de produtores dessas regiões.
É um volume pequeno perto das 45 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, mas importante para sustentar produtores locais dessas regiões, que temem perder a cota ao serem colocados como moeda de troca nas negociações sobre o etanol.
Para completar, o fim da escala 6×1 e a redução na jornada de trabalho podem entrar na pauta se houver tempo e algum empresário levar o tema à discussão.
Além de Lula e Alckmin, participarão do encontro, segundo o Palácio do Planalto, os seguintes ministros, empresários e representantes do setor:
Gustavo Porto