A Lavoro chegou a um acordo de reestruturação extrajudicial com alguns de seus principais fornecedores para estender cerca de R$ 2,5 bilhões em pagamentos após meses de dificuldades decorrentes de inadimplência no agronegócio.
A empresa de revenda de insumos agrícolas com sede em São Paulo, investida e apoiada pelo Pátria Investimentos, afirmou em comunicado na quarta-feira, 18, que a subsidiária brasileira apresentou um plano de recuperação extrajudicial.
Os principais fornecedores participantes do acordo incluem Basf, FMC Agrícola e UPL Brasil, segundo o comunicado.
As negociações com outros fornecedores importantes estão “em andamento e em estágios avançados”, afirmou a empresa, acrescentando que a reestruturação extrajudicial não afeta credores financeiros.
O plano inclui apenas a Lavoro no Brasil, unidade que abrange o segmento de varejo agrícola da empresa no Brasil, e a subsidiária Perterra.
A Lavoro possui cerca de R$ 1 bilhão em dívidas financeiras, incluindo R$ 420 milhões em títulos lastreados em recebíveis agrícolas, conhecidos como CRAs.
A empresa renegociou dívidas com bancos como Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Citi, embora fora do escopo do acordo extrajudicial. A companhia ainda está trabalhando para obter waiver (dispensa do cumprimento de exigências contratuais) dos detentores dos CRAs.
A Bloomberg News noticiou em março que a Lavoro estava trabalhando com a consultoria Alvarez & Marsal e o escritório de advocacia Pinheiro Neto em negociações com fornecedores para estender os prazos de pagamento em meio à liquidez reduzida do mercado.
As ações da empresa, negociadas nos EUA, acumulam queda de cerca de 48% no ano.
“Enxugamos 30% das lojas do Brasil, foi um esforço grande na parte de despesas. Eu não descarto ter que fazer algum outro ajuste operacional”, afirmou o CEO da companhia no Brasil, Ruy Cunha. “Pontualmente, ainda podemos fazer alguns ajustes para garantir que tamanho e eficiência estejam de acordo com o nosso plano”.
A receita da Lavoro caiu 27% no segundo trimestre fiscal de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com informações preliminares não auditadas. O lucro bruto consolidado caiu 28% na mesma comparação.
Segundo a companhia, o resultado se deve à escassez de estoque, que levou a cancelamentos de reservas e impactou indiretamente a receita de defensivos agrícolas.
A queda ocorre em meio a uma onda de inadimplência de produtores rurais, após anos de expansão impulsionada por dívidas, seguidos por uma queda nos preços das principais commodities e um aumento nas taxas de juros.
Muitos produtores rurais assumiram altos níveis de dívida com taxas pós-fixadas para financiar investimentos em terras, máquinas e tecnologia.
A Agrogalaxy Participações e o Portal Agro, concorrentes da Lavoro, entraram com pedido de recuperação judicial no ano passado.
Giovanna Bellotti Azevedo e Rachel Gamarski