Ao longo dos últimos anos, o crescimento da indústria de etanol de milho gerou uma maior necessidade de aportes financeiros para viabilizá-los. “Há um ano, falávamos em R$ 20 bilhões de investimentos nesse setor. Hoje, falamos em R$ 37 bilhões, mais a necessidade de capital de giro, que estimamos em R$ 45 bilhões”, aponta o gerente de crédito para o agronegócio do Itaú BBA, Guilherme Novaes.
Dentre as fontes de financiamento mais plausíveis para esses valores bilionários, o Itaú BBA destaca bancos de fomento, bancos privados, mercado de capitais e equity dos sócios (os recursos próprios, aportados pelos investidores).
A instituição financeira fez uma análise de sensibilidade considerando o financiamento de um projeto hipotético de uma usina de etanol de milho com 100% de taxa de mercado. Cruzando a margem Ebitda com a necessidade de equity, um projeto saudável precisaria de, no mínimo, 50% a 60% de aplicações dos sócios para ter uma viabilidade financeira atrativa, além de uma cobertura interessante para períodos de volatilidade dos preços e do negócio.
“A estrutura de capital é algo que consideramos um dos pilares principais, se não for o mais essencial, para um projeto; não só para uma planta de etanol de milho, mas para qualquer projeto”, expressa o gerente.
Novaes ainda pontua a relevância do período de carência na negociação. O conselho é que, no momento da avaliação de crédito com o banco, o produtor busque o casamento entre uma carência o mais longa possível e um vencimento do principal que não comece no período de obras, dado que não haverá receita.
“Questionam: ‘Tenho outros negócios, é uma expansão de uma planta de etanol de milho, eu já tenho outras receitas que poderiam suprir’. Mas aí é outro projeto. Gostamos de falar que cada projeto é único e precisa ter viabilidade própria; não são 100% comparáveis”, enxerga.
Ele reitera que é necessário buscar por mais prazo, mais carência e custos mais baixos, especialmente em um momento de taxa Selic elevada. “É difícil encontrar negócios que são bastante rentáveis, com custo financeiro elevado”, afirma.
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