Enquanto companhias como Raízen e Jalles amargaram prejuízos no terceiro trimestre da safra 2024/25, a São Martinho conseguiu manter seus números no azul. Ainda assim, o lucro líquido de R$ 157,92 milhões representou uma retração de 25% em comparação com os R$ 210,64 milhões de um ano antes.
O período de outubro a dezembro de 2024, obviamente, foi desafiador e trouxe as consequências dos incêndios que atingiram os canaviais paulistas. De acordo com o relatório de resultados da São Martinho, as chamas atingiram a cana-de-açúcar da empresa entre os dias 22 e 25 de agosto, afetando 20 mil hectares.
O diretor financeiro e de relações com investidores, Felipe Vicchiato, calcula que as queimadas provocaram um impacto negativo de R$ 350 milhões. “Pelos números, foram R$ 350 milhões a menos de lucro”, disse ele em teleconferência com analistas e investidores realizada após a divulgação dos resultados.
Desse total, o aumento de custos representa cerca de R$ 100 milhões, envolvendo gastos com trato cultural, plantio adicional, replantio e reforço de adubo, além do aumento do uso de insumos industriais. Além disso, a São Martinho calcula ter deixado de faturar entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões ao preterir a comercialização de açúcar para fabricar etanol. “Para 2025/26, já conseguimos ajustar para zero o impacto desses incêndios”, pondera o executivo.
Em contrapartida, os negócios da companhia com milho registraram um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 74,09 milhões, ante um resultado negativo de R$ 652 mil no mesmo período da safra anterior.
“Ao longo do terceiro trimestre de 2024/25, a operação de milho continuou sustentando níveis de moagem alinhados à capacidade plena da planta e ao guidance para a safra”, complementa a empresa, em relatório.
De acordo com Vicchiato, a planta de processamento do grão está “indo muito bem” após ter passado pela fase de comissionamento e, agora, está operando na capacidade total. “Devemos fechar o ano dentro do guidance, que é algo próximo de 500 mil toneladas”, afirma e completa: “O ATR [equivalente] produzido aumentou um pouco mais do que o milho processado em si por conta da melhora de eficiência na conversão em etanol”.
Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana elaborou 64 gráficos exclusivos a partir dos dados divulgados pela própria companhia. Por meio deles, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
As informações que fazem parte do levantamento incluem:
- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR total e em relação à moagem
- Produtividade dos canaviais
- Processamento de milho
- Etanol: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- DDG: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: energia vendida, receita e preço médio
- CBios: volume vendido, receita e preço médio
- Leveduras: volume vendido, receita e preço médio
- Destino da produção ao longo da safra – mercado externo e interno
- Estoques de etanol e açúcar: por volume e por valor de mercado
- Evolução financeira
- Indicadores de resultado em relação à moagem
- Lucro líquido e bruto
- Receita operacional
- Composição das vendas
- Relação entre receitas e custos
- Impacto da variação cambial
- Perfil das dívidas
- Alavancagem
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