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Ao menos cinco gestoras sinalizam apetite para comprar dívidas da Raízen

Makalu, Geribá, Laplace e Mapa Capital podem competir com IG4 por créditos da empresa


O Estado de S. Paulo - Publicado: 18 Jun 2026 - 09:48

Gestoras especializadas em ativos problemáticos estão se posicionando para concorrer com o grupo IG4 Capital pelos créditos da Raízen, que tem R$ 65 bilhões em dívidas. A Coluna do Broadcast apurou que Makalu, Geribá, Laplace e Mapa estruturam propostas para assumir dívida de credores da empresa.

Um dos fundamentos da disputa pelos créditos está na proposta do plano de recuperação extrajudicial, homologado na semana passada, de conversão de 45% das dívidas em ações, as quais têm um valor de mercado extremamente baixo neste momento.

Com a conversão, os credores passarão a ter 80% do capital da Raízen. A depender do valor e do modelo de aquisição dos créditos, aqueles que emprestaram dinheiro para a joint venture da Cosan e da Shell poderiam recuperar um valor maior de recursos e reduzir o “haircut” (desconto) implícito nessa troca.

A visão é também de que, dada a diversidade de credores – bancos, debenturistas e detentores de certificados de depósitos agrícolas (CRAs) –, a conversão resultará em uma corporação sem controle definido, potencialmente, trazendo implicações em sua governança e gestão.

Uma das fontes afirmou que os bancos, nessa conversão, são potencialmente o grupo que poderá restar com um volume maior de ações da Raízen, levando-os a ter ainda mais cadeiras no conselho de administração. “Bancos geralmente não querem ter responsabilidade fiduciária sobre empresas”, disse.

De olho em operações diferentes

Segundo fontes, a Makalu pretende avançar sobre os créditos concedidos às operações de açúcar e etanol da Raízen, dada a experiência com reestruturações no segmento, como as do grupo Virgolino de Oliveira (GVO), grupo Safras e da usina Caeté.

A Geribá Investimentos, por sua vez, estaria olhando para os créditos relacionados às operações de combustíveis. Em abril, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da subsidiária no Acre da Brasil Biofuels (BBF) para a Japaratinga Participações, ligada à gestora Geribá Investimentos.

Já a gestora Laplace têm mantido conversas essencialmente com bancos credores para dar saída a eles em diferentes estruturas, entre as quais, a criação de um veículo para gestão das ações, em modelo semelhante ao da IG4 na Braskem.

Por sua vez, a Mapa Capital tem a experiência de ter assumido a dívida da Casas Bahia, ao ficar com debêntures que eram do Bradesco e do Banco do Brasil. A gestora então converteu esses papéis em ações e passou a ter 85% da Casas Bahia, assumindo seu controle. O objetivo agora é reestruturar financeiramente e sanear a companhia, o que pode fazer as ações voltarem a subir na B3 e recuperar o valor da varejista.

IG4 apresenta três opções para aquisição

A IG4 apresentou três opções aos credores da Raízen e já dá início a rodada de conversas individuais com bancos e representantes dos detentores de títulos de dívida emitidos no exterior e no Brasil. De acordo com uma fonte próxima à questão, os valores financeiros a serem pagos pelos créditos serão diferentes.

O que a IG4 leva como argumento aos credores é a capacidade de fazer melhor a gestão da empresa, tendo um sócio único controlador da companhia em seu comando, especialmente durante esse período de reestruturação e recuperação de seu valor.

Outro argumento está na potencial minimização das perdas que os credores terão com a conversão, já que as ações da Raízen são negociadas em bolsa em valores extremamente baixos.

As opções são: a aquisição em dinheiro dos créditos, não pelo valor de face, mas por um valor mais próximo ao que a ação é negociada neste momento; a troca por direitos creditórios futuros, implicando a recuperação do crédito quando a ação estiver mais valorizada – modelo Braskem –; e troca por cotas do fundo de investimento (FIP) onde seriam alocadas as ações.

Embora a IG4 vá conduzir conversas individuais, os acordos só serão fechados se houver coesão para que a gestora fique com mais de 50% das ações convertidas. O prazo para a conversão, previsto no plano de recuperação extrajudicial, é março de 2027 e até lá existem diversas condições precedentes já acordadas no mesmo plano para esse desfecho.

Procuradas, as gestoras não comentaram.

Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior