BASF
Investimento

Biocombustíveis demandarão R$ 90 bilhões até 2030, projeta EPE


O Estado de S. Paulo - 08 jan 2019 - 09:48

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que serão necessários R$ 90 bilhões em investimentos para atender o consumo de biocombustíveis no Brasil até 2030. Etanol, biodiesel e biogás são os principais. Só o etanol demandaria R$ 60 bilhões para elevar a produção dos atuais 32 bilhões de litros para 49 bilhões de litros. Seriam R$ 15 bilhões em 19 novas usinas processadoras de cana-de-açúcar no País, o que não acontece há uma década, além de R$ 8 bilhões para expandir as já existentes. Segundo a EPE, outros R$ 13 bilhões teriam de ser aportados no etanol de segunda geração, normalmente produzido a partir do bagaço ou palha da cana, R$ 5 bilhões em usinas de álcool de milho e outros R$ 4 bilhões no transporte do combustível.

Vegetal

Com demanda crescente pelo aumento da mistura obrigatória ao diesel de 10% para 15% até 2023, o biodiesel necessitaria de R$ 3 bilhões em investimentos, de acordo com a EPE. Para outros produtos além do biocombustível, como farelo e óleo de soja, o aporte total no setor é estimado em R$ 11 bilhões até 2030. O investimento previsto em biogás, fabricado a partir da fermentação, é de R$ 19 bilhões.

Fica Temer

Plinio Nastari, presidente da Datagro Consultoria e membro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), rasga elogios às políticas para biocombustíveis e para o setor produtor de etanol, os programas Rota 2030 e RenovaBio, do presidente Michel Temer. “Os programas transformados em lei são grandes conquistas do governo Temer, porque fomentam o livre mercado, sem subsídios, sem novos impostos e em defesa de combustíveis renováveis.”

Pulga

Depois de ver financiamentos de máquinas agrícolas crescerem 20% em 2018, o diretor de Agronegócios do Santander no Brasil, Carlos Aguiar, espera resultado parecido em 2019. “A pulga atrás da orelha é o que vai acontecer com o BNDES”, diz ele, referindo-se à principal fonte de crédito para este tipo de bem e ao fato de o agronegócio ser “o único setor” ainda a pagar juros pré-fixados à instituição. Os demais seguem a Taxa de Longo Prazo (TLP), que oscila conforme a inflação e passou a ser adotada pelo banco em janeiro de 2018.

Rearranjo

Aguiar diz que não é “saudável” produtores rurais pagarem juros com base na TLP. “O problema do BNDES não é o quanto consegue emprestar, é o subsídio (ao juro)”, diz Aguiar. “Oferecer crédito com juros de mercado ainda não é viável.” Enquanto o BNDES cobra de 7,5% a 9,5% ao ano com amortização em oito anos, bancos teriam de cobrar de 15% a 16% com este prazo, explica. “O risco país precisa cair para o juro de longo prazo cair também.” Ele até considera plausível cortar os subsídios do governo, o que elevaria a taxa de juros, mas insiste em que seja pré-fixada.

Alternativa

A perspectiva de que o novo governo conceda crédito a juros controlados principalmente aos pequenos e médios agricultores anima Moacir Teixeira, sócio da securitizadora Ecoagro. Para obter recursos, produtores maiores teriam de recorrer ao mercado, sobretudo aos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), e poderiam encontrar nos referenciados em dólar grande oferta de dinheiro.

Nas alturas

Se as regras não mudarem, o que seria uma “decepção”, as emissões crescerão 15%, diz Teixeira. “Mas se os CRAs referenciados em dólar forem aprovados, as emissões dobram ou triplicam.”

Vem de longe

Neste tipo de CRA, o valor do título é calculado na moeda norte-americana, já que a produção a ser financiada pelo investidor estrangeiro é negociada em dólar. Ainda assim, o produtor rural receberá em real, conforme a cotação do dia. O CRA referenciado em dólar é uma demanda antiga do agronegócio, em razão do grande interesse de estrangeiros em investir em projetos referentes à agropecuária brasileira.

Publicado em 31 de dezembro no Broadcast Agro do Estadão