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Estudos

Vantagens da bioeletricidade do bagaço de cana para o Brasil


novaCana.com - 16 out 2013 - 06:10 - Última atualização em: 27 ago 2014 - 17:08
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Este estudo continua:

  1. Contextualização histórica do etanol
  2. A questão tecnológica e a da internacionalização da produção
  3. Vantagens da bioeletricidade do bagaço de cana para o Brasil
  4. Desafios para o etanol brasileiro
O trabalho pode ser acessado na íntegra no pdf: Biocombustíveis no Brasil: Etanol e Biodiesel
A contratação de fontes renováveis de energia elétrica complementares à geração hídrica, e que simultaneamente contribuam para a manutenção do perfil limpo da matriz elétrica brasileira, é alternativa estratégica para o futuro energético no curto e médio prazos no Brasil. Entre estas fontes, destaca-se a eletricidade a partir do bagaço da cana-de-açúcar, em função basicamente das seguintes qualificações:

  • competitividade em termos de custos;
  • complementaridade sazonal com relação ao regime de chuvas;
  • maturidade da indústria sucroenergética;
  • contribuição na redução de emissões de gases do efeito estufa; e
  • proximidade ao centro de carga.

Essa fonte energética possui vantagens adicionais, como a geração de renda e de emprego no campo, estímulo à indústria de bens de capital e poupança de divisas – coeficiente de importação é próximo de zero, dispensando tanto a importação de equipamentos como a de combustíveis. A vantagem ambiental em relação às usinas termelétricas movidas a óleo combustível é a maior entre todas as formas de geração que estão atualmente disponíveis em larga escala. Além disso, trata-se de uma fonte típica de geração descentralizada, que se interliga aos troncos principais do sistema elétrico e que pode implementar tecnologia para uma geração distribuída.

O Brasil conta com 434 usinas sucroalcooleiras, todas elas autossuficientes em energia graças à produção de vapor por meio da queima de bagaço de cana em caldeiras. Porém, somente 20% das usinas (88 unidades) comercializam os seus excedentes de energia elétrica no mercado, sendo 54 centrais de cogeração exportando energia elétrica para a rede de transmissão no estado de São Paulo (61% do total) e 34 centrais em outros 11 estados brasileiros. As novas indústrias já contam com as adaptações necessárias para a produção e disponibilização da energia.

Estima-se que, se for aproveitada plenamente toda a biomassa de cana disponível no país, seria possível agregar à rede elétrica um volume de energia da ordem de 11.000 MW médios até a safra 2018-2019, o que equivale a uma usina do porte de Itaipu. Somente no estado de São Paulo, a reserva de cana permitiria exportar 4.800 MW médios para a rede em 2017-2018, valor 20% superior ao hoje gerado em todo o complexo da Companhia Energética de São Paulo (CESP). O Balanço Energético Nacional (BEN) apresenta a cana-de-açúcar e seus derivados como a segunda maior fonte energética do país, em tonelada equivalente de petróleo (TEP), zcando à frente da hidroeletricidade e atrás apenas do petróleo, conforme mostra o gráfico. Em grande parte isto se deve à queima do bagaço tanto para o consumo das usinas quanto para a rede pública.

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A capacidade de geração de eletricidade a partir da queima do bagaço da cana é considerada no planejamento do setor elétrico, nas projeções do Ministério de Minas e Energia (MME), como importante fonte de geração. A opção de geração distribuída deve ser também considerada para tornar o sistema menos vulnerável ou dependente de grandes obras estruturantes de geração e de transmissão, reduzindo os riscos de blecaute ao facilitar o restabelecimento e a estabilização do sistema.

Ao mesmo tempo, medidas como uma programação regular de leilões específicos para fontes renováveis devem ser combinadas com especial atenção para projetos de modernização de instalações de usinas mais antigas (projetos chamados de retrofits) com controle de emissões e com processos de controle efetivos da agricultura, sem agressões ambientais e com economia de água. Em resumo, é preciso dar vantagens a iniciativas que produzam energia renovável e com cuidados ambientais em toda a cadeia, para que sejam substituídas fontes poluidoras.
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