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Uso de pesticidas e herbicidas no cultivo da cana


O consumo de inseticidas, fungicidas, acaricidas e outros defensivos na cultura da cana-de-açúcar no Brasil é inferior ao das culturas de citros, milho, café e soja. A figura apresenta o balanço do uso de defensivos agrícolas na produção de cana-de-açúcar.

Uso de defensivos agrícolas (mg/m3 etanol)

Uso de defensivos agrícolas (mg/m3 etanol) Obs: considerando-se 71 t de cana/ha e 88 l de etanol/t de cana. Fonte: adaptado de Arrigoni (2005) e Junior (2005)

O consumo de fungicidas é praticamente nulo e o de inseticidas é relativamente baixo, conforme apresentam as tabelas abaixo. Tem sido possível reduzir muito o uso de defensivos, com aplicações seletivas.

Consumo de fungicidas (1999-2003)

Item/AnoCaféCana de açúcarCitrosMilhoSoja
Produto
comercial
(kg/ha)
1999 6,98 0,00 4,54 0,02 0,34
2000 5,22 0,00 4,98 0,02 0,40
2001 1,62 0,00 4,71 0,03 0,37
2002 1,32 0,00 5,02 0,03 0,42
2003 1,76 0,00 5,51 0,03 0,56
Ingrediente
ativo
(kg/ha)
1999 1,38 0,00 2,38 0,01 0,16
2000 1,61 0,00 2,49 0,01 0,18
2001 0,75 0,00 2,89 0,01 0,16
2002 0,55 0,00 3,00 0,01 0,16
2003 0,66 0,00 3,56 0,01 0,16

Fonte: Arrigoni, 2005

Consumo de inseticidas (1999-2003)

Item/AnoCaféCana-de
açúcar
CitrosMilhoSoja
Produto
comercial
(kg/ha)
1999 4,72 0,44 2,71 0,39 0,91
2000 4,47 0,41 2,32 0,51 0,99
2001 2,35 0,51 2,71 0,47 1,07
2002 0,97 0,48 2,62 0,42 1,02
2003 2,22 0,54 2,43 0,53 1,03
Ingrediente
ativo
(kg/ha)
1999 0,91 0,06 1,06 0,12 0,39
2000 0,65 0,11 0,96 0,17 0,41
2001 0,36 0,13 0,88 0,16 0,45
2002 0,14 0,14 0,66 0,14 0,43
2003 0,26 0,12 0,72 0,18 0,46

Fonte: Arrigoni, 2005

Em culturas de cana-de-açúcar, a utilização de acaricidas é praticamente nula. Na Tabela 8.2-8, apresenta-se o consumo de outros defensivos, usados, em geral, para o tratamento de sementes.

Consumo de outros defensivos agrícolas (1999-2003)

Item/AnoCaféCana-de
açúcar
CitrosMilhoSoja
Produto
comercial
(kg/ha)
1999 0,15 0,12 0,37 0,08 0,74
2000 0,34 0,13 2,07 0,08 0,71
2001 0,64 0,09 2,88 0,08 0,65
2002 0,28 0,10 3,21 0,14 0,60
2003 0,26 0,08 2,41 0,12 0,80
Ingrediente
ativo
(kg/ha)
1999 0,06 0,03 0,28 0,05 0,52
2000 0,15 0,04 1,83 0,04 0,45
2001 0,32 0,04 2,34 0,06 0,43
2002 0,17 0,04 2,70 0,09 0,38
2003 0,14 0,04 1,97 0,09 0,51

Fonte: Arrigoni, 2005

O consumo de pesticidas na cultura da cana também é inferior aos das lavouras de citros, milho, café e soja. Entre as principais pragas da cana, os controles da broca (praga mais importante) e da cigarrinha são biológicos. A broca tem o maior programa de controle biológico no país. Formigas, besouros e cupins têm controle químico.

Doenças da cana são combatidas com a seleção de variedades resistentes, em grandes programas de melhoramento genético. Modificações genéticas (em fase de testes de campo) produziram plantas resistentes a herbicidas, ao carvão, aos vírus do mosaico (SCMV) e ao do amarelecimento (SCYLV) e à broca da cana.

Os herbicidas são o grupo mais utilizado como produto comercial ou ingrediente ativo. Plantas daninhas levam a grandes perdas na cultura da cana-de-açúcar, com reduções de produtividade variando de 10% a mais de 80% (JUNIOR, 2005). Comparativamente com outras culturas, a cana-de-açúcar, no Brasil, utiliza mais herbicida que o café e milho e um pouco menos que a citricultura, igualando-se à soja. Os valores são apresentados na próxima tabela.

Há forte tendência para o aumento das áreas com colheita de cana crua, com palha remanescente no solo. Atualmente, não parece ser possível eliminar totalmente os herbicidas nestes casos, como se esperava, inclusive pelo surgimento de pragas até então incomuns.

A intensidade de interferência das plantas daninhas na cana-de-açúcar depende de fatores ligados à cultura (gênero, espécie ou cultivar, espaçamento entre sulcos e densidade de semeadura), à comunidade de plantas daninhas (composição específica, densidade e distribuição) e a fatores ambientais. Os métodos de controle das ervas daninhas têm sido frequentemente modificados em função de avanços em tecnologias (culturais e mecânicas, ou químicas).

Uso de defensivos agrícolas pelas principais culturas comerciais

Consumo
relativo de
herbicidas
AnoCaféCana
de
açúcar
CitrosMilhoSoja
Produto Comercial
(kg/ha)
1999 3,38 2,78 3,23 2,51 4,44
2000 3,10 3,91 3,28 3,21 5,24
2001 3,99 5,24 5,80 2,84 4,57
2002 2,57 4,23 5,53 2,58 4,45
2003 2,42 4,14 6,69 3,31 4,92
Média 3,09 4,06 4,90 2,89 4,73
Ingrediente
ativo
(kg/ha)
1999 1,84 1,52 1,75 1,21 2,01
2000 1,56 2,17 1,69 1,54 2,33
2001 2,01 2,77 2,46 1,38 2,09
2002 1,35 2,22 2,63 1,24 2,05
2003 1,27 2,29 3,40 1,70 2,50
Média 1,61 2,20 2,39 1,41 2,20

Fonte: Arrigoni (2005)