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Fertilizantes minerais e orgânicos na produção da cana-de-açúcar


O uso de fertilizantes na agricultura brasileira é relativamente baixo, embora tenha aumentado nos últimos 30 anos, reduzindo muito a necessidade de novas áreas pelos ganhos de produtividade. Por outro lado, aumentam-se os riscos associados à contaminação dos corpos d’água e qualidade do solo.

O impacto de fertilizantes na qualidade da água e do solo depende de muitas condições do uso. Há uma grande variação na taxa de aplicação de fertilizantes devido aos diferentes tipos de solo.

Na adubação com nitrogênio, solos mais arenosos, irrigados e com lençol freático raso são mais vulneráveis à contaminação por nitratos. Mas o potencial do nitrogênio para atingir e contaminar a água depende ainda da quantidade usada, da utilização pela planta, do nível de nutrientes no solo e da matéria orgânica e do clima.

É importante destacar que a extração média de nitrogênio pela cultura da cana no Brasil é bem superior à dose aplicada do fertilizante, por exemplo, no primeiro corte (DONZELLI, 2005).

No caso da cultura da cana no Brasil, uma característica importante é o reciclo integral dos resíduos para o campo, que reduz o uso de fertilizantes. De acordo com Donzelli (2005), quanto à intensidade do uso de fertilizantes, das culturas no Brasil com área acima de 1 milhão de hectares, a cana-de-açúcar ocupa o quarto lugar em uma lista de 10 culturas, com 460 kg (de uma fórmula média de N-P2O5-K2O) por hectare. As culturas mais intensivas em fertilizantes por hectare são o algodão herbáceo, café e laranja. Soja, milho, trigo, arroz, feijão e reflorestamento vêm em seguida à cana. A figura a seguir apresenta valores médios da aplicação de fertilizantes para a cana-de-açúcar.

Uso de fertilizantes na cana planta (g/m³ etanol). Obs.: considerando-se 71 t de cana/ha e 88 l de etanol/t de cana.

A cana-de-açúcar no Brasil tem um nível baixo de utilização de fertilizantes quando comparada a outros países. Isso não implica redução de produtividade, mas otimização do uso de fertilizantes pela pesquisa agrícola (DONZELLI, 2005).

Intensidade de uso de fertilizantes por culturas no Brasil em 2003

CulturaÁREA
(1.000 HA)¹
CONSUMO
(1.000 T)
Consumo/área
(t/ha)
Algodão herbáceo 1.012 950 0,94
Café³ 2.551 1.375 0,54
Laranja³ 823 406 0,49
Cana-de-açúcar³ 5.592 2.600 0,46
Soja 21.069 8.428 0,40
Milho² 13.043 4.082 0,31
Trigo³ 2.489 742 0,30
Arroz 3.575 872 0,24
Feijão² 4.223 650 0,15
Reflorestamento 1.150 129 0,11

¹ Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, LSPA, IBGE e CONAB; ² Essas culturas totalizam todas as safras colhidas; ³ Essas culturas têm o plantio e colheita no próprio ano; Fonte:Donzelli (2005)

Na aplicação de fertilizantes, Macedo et al. (2004) consideraram que a substituição de 30% de fertilizantes por vinhoto e torta de filtro reduz a aplicação de 500 kg/ha (Situação 1) para 400 kg/ha (Situação 2).

Valores médios são listados na tabela. Nota-se que, no plantio da cana na Situação 2, não há necessidade de aplicação de compostos nitrogenados e reduz-se muito a quantidade necessária de fósforo e potássio.

Taxa de aplicação de fertilizantes

  Taxa (kg/ha)
Macro-nutriente Cana Planta Cana Soca
  Situação 1 Situação 2 Situação 1 Situação 2
Nitrogênio – N 30 - 80 90
Fósforo – P2O5 120 50 25 -
Potássio – K2O 120 80 120 -

Fonte: Macedo et al. (2004)