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Caracterização climática da região do Mapito


 

Avaliação do potencial de produção de cana-de-açúcar do Mapito

Geologia, geomorfologia e vegetação da região do Mapito

No que diz respeito ao clima, trabalhou-se conforme a classificação de Köppen, que por sua vez tem como base a subdivisão dos climas terrestres dentro de cinco grandes tipos, representados pelas letras A, B, C, D e. Esses tipos climáticos estão definidos por critérios de temperatura e precipitação pluviométrica. A temperatura é um fator de grande importância no desenvolvimento da cana-de-açúcar, sendo considerada ideal a faixa entre os 21ºC e 34ºC. Quanto à incidência hídrica, a gramínea precisa de, no mínimo, 1200 mm/safra.

Os tipos climáticos foram agrupados nas mesmas classes de potencial – Alto, Bom, Médio e Impróprio – sendo: a) tipo climático pertence ao potencial Alto: As, Am, e Cwa; b) potencial Bom, Aw e Cfa; potencial Médio: Af e Cwb e d), de caráter Impróprio.

A Figura 4-11 apresenta o potencial climático, com o contorno da Área 10 em destaque.

Área 10 – Potencial Climático – Classificação Köppen - Fonte:Adaptação a partir dos dados do CTC (2005)

Tocantins

O Estado do Tocantins tem uma área superior a 277 mil km2 de relevo suave que varia entre 100 m e 300 m de altitude ao longo das bacias dos rios Araguaia e Tocantins. O clima é tropical úmido com estação chuvosa entre outubro e abril. No período seco, maio a setembro, os rios que deságuam na Bacia Amazônica baixam suas águas, abrindo lugar para praias fluviais de areias claras. As temperaturas médias anuais variam entre 24ºC e 26ºC nos meses chuvosos e entre 28ºC e 35ºC durante a seca. As precipitações médias anuais variam entre 1.800mm ao norte e a leste, e 1.000mm na porção sul do estado.

A precipitação anual nos três municípios de Araguatins, Tocantinópolis e Araguaína, os quais estão localizados dentro da área de estudo, é considerada boa, porém mal distribuída. A elevada temperatura e baixa precipitação nos meses de junho a setembro contribuem para uma deficiência hídrica muito elevada nesses meses. A maior deficiência ocorre em Tocantinópolis com 496,6 mm e a menor em Araguaína com 348,0 mm. Esses valores de deficiência hídrica mostram que para viabilizar o plantio de cana-de-açúcar na região é necessário que se faça um planejamento de irrigação de salvação.

Maranhão

Com altitudes reduzidas e topografia regular, apresenta um relevo modesto, com cerca de 90% da superfície abaixo dos 300 metros. No centro-sul predomina o relevo de planaltos e chapadas como uma porção do Planalto Central Brasileiro. Entretanto, o norte e o litoral maranhenses se encontram em área de planície de baixas altitudes.

O oeste maranhense está dentro da área de atuação do clima equatorial com médias pluviométricas e térmicas altas. Já na maior parte do estado, se manifesta o clima tropical com chuvas distribuídas nos primeiros meses do ano.

A precipitação anual, nos municípios de Imperatriz e Carolina, é considerada boa, porém, mal distribuída, assim como ocorre nos municípios do Tocantins. As elevadas temperaturas e baixa precipitação nos meses de junho a setembro contribuem para uma deficiência hídrica muito elevada nesses meses.

A região onde se encontram os municípios de Balsas e Alto Parnaíba tem uma condição climática mais desfavorável do que os outros municípios citados anteriormente. As elevadas temperaturas e a baixa precipitação nos meses de maio a outubro contribuem para uma deficiência hídrica muito elevada nestes meses.

As maiores deficiências ocorrem em Balsas com 746,4 mm e em Alto Parnaíba com 674,7 mm. As maiores áreas e características de solos e relevo favoráveis mostram que esta região tem potencial e viabilidade de plantio de cana-de-açúcar, porém é necessário que se faça um planejamento de irrigação de salvação.

Piauí

O relevo piauiense abrange planícies litorâneas e aluvionares, nas faixas às margens do rio Parnaíba e de seus afluentes, que permeiam a parte central e norte do estado. Ao longo das fronteiras com o Ceará, Pernambuco e Bahia, nas chapadas de Ibiapaba e do Araripe, a leste, e da Tabatinga e Mangabeira, ao sul, encontram-se as maiores altitudes da região, situadas em torno de 900 metros de altitude. Entre essas zonas elevadas e o curso dos rios que permeiam o estado, como, por exemplo, o Gurgueia, Fidalgo, Uruçuí Preto e o Parnaíba, encontram-se formações tabulares, contornadas por escarpas íngremes, resultantes da ação erosiva das águas.

Com clima tipicamente tropical, o Piauí apresenta temperaturas médias elevadas, variando entre 18ºC (mínimas) e 39ºC (máximas). A umidade relativa do ar oscila entre 60% e 84%.

No litoral e às margens do rio Parnaíba, os níveis anuais de precipitação pluviométrica situam-se entre 1.000mm e 1.600 mm. A frequência de chuvas diminui na medida em que se avança para a região sudeste do estado; porém, níveis anuais médios de precipitação abaixo de 800 mm são encontrados apenas em 35% do território piauiense.

A região estudada do Piauí tem um clima semelhante ao do município de Alto Parnaíba no Maranhão.

Comparativo climático entre a região canavieira de Ribeirão Preto-SP e a de Balsas-MA

De acordo com o estudo realizado na região do Mapito, a região de Balsas é a que tem melhor característica de solo e relevo para implantar um polo de produção de etanol e açúcar. Pode-se observar que as temperaturas na região de Ribeirão Preto são bem menores quando comparada com as de Balsas e Alto Paranaíba.

A precipitação na região de Ribeirão Preto é maior e mais bem distribuída, resultando em uma deficiência hídrica bem menor, característica que demonstra a não necessidade de irrigação de salvação da cultura. Ressalta-se que a comparação com a região do Maranhão está sendo realizada com uma condição climática quase ideal para a produção de cana-de-açúcar que é a região de Ribeirão Preto.

Em uma segunda comparação com as áreas de expansão atual, principalmente as regiões do Oeste Paulista, Triângulo Mineiro, Sul de Goiás e Sudeste/Nordeste do Mato Grosso do Sul, verifica-se similaridade de precipitação pluviométrica anual e distribuição de chuvas. Esse clima, juntamente com solos de alto e médio potencial, denota plenas condições para expansão da cultura de cana-de-açúcar na área.

Com as características climáticas citadas da área estudada, verificou-se uma distribuição irregular de chuvas ao longo do ano, evidenciando estações muito bem definidas de seca e outra úmida. Isso indica que, mesmo apresentando índices de precipitações anuais satisfatórias (média de 1.050 mm nas regiões sul do Maranhão e sudoeste de Piauí, bem como 1.400 mm nas regiões norte do Tocantins e sudoeste do Maranhão), o déficit hídrico é bastante elevado, pois essas chuvas se concentram nos meses de outubro a março e, consequentemente, proporcionam um período de escassez de chuvas concentrado nos meses de maio a setembro.

Dentro desse contexto, ressalta-se que, para a cultura de cana-de-açúcar (cultura semiperene), será necessária a utilização de um sistema de irrigação complementar, para que a planta suporte o período de estiagem. Segundo dados obtidos com experimentos na área de irrigação dentro do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em locais semelhantes, há uma tendência em se utilizar um sistema de irrigação de salvação ou de período crítico. No sistema de salvação, seria aplicada uma lâmina de aproximadamente 60 mm e no de período crítico duas a três lâminas de 40 mm. Há necessidade, portanto, para cada nova unidade a ser instalada na região, de se elaborar projetos específicos para cada condição estudada.