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Análise da preservação dos solos agrícolas na cultura da cana


Força (Strenght): Menores perdas de solo

As perdas de solo são menores com cana comparada a muitas outras culturas. Só milho, feijão e batata-doce apresentam perdas menores ou iguais à cana.

A evolução tecnológica do cultivo da cana-de-açúcar tem permitido em algumas áreas o manejo de colheita sem a queima da palha. O manejo de colheita sem a queima da palha e o preparo reduzido deverá melhorar sensivelmente o nível de conservação de solos.

O uso controlado de vinhoto (fertirrigação) como fertilizante orgânico reduz a necessidade de aplicação de adubos químicos, reciclando nutrientes e efluentes da produção de etanol. A Norma Técnica P4.231/2005 da CETESB, órgão ligado à Secretaria do Meio Ambiente do estado de São Paulo, regulamenta todos os aspectos relevantes: áreas de risco (proibição), dosagens permitidas e tecnologias.

Análises sobre os efeitos do vinhoto nas propriedades do solo indicam que sua adição in natura aos solos é uma boa opção para o aproveitamento deste subproduto, por ser um excelente fertilizante e trazer vários benefícios para as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. As vantagens da sua utilização são a elevação do pH, aumento da capacidade de troca catiônica, da disponibilidade de certos nutrientes, melhoria da estruturação do solo, aumento na retenção de água e no desenvolvimento da microflora e microfauna do solo.

A cultura da cana pode regenerar áreas degradadas, desde que observadas as boas práticas de produção do ponto de vista ambiental.

Fragilidade (Weakness): Prática da queima da cana-de-açúcar

A prática da queima da cana-de-açúcar traz consequências danosas para as características físicas e estrutura do solo, como:

  • A alteração da concentração de gases na atmosfera;
  • A diminuição da fertilidade e umidade do solo;
  • A perda de nutrientes voláteis; e
  • A exposição do terreno aos efeitos erosivos.

Conforme mencionado anteriormente, a mecanização agrícola trouxe contribuições positivas e algumas negativas, como a compactação do solo resultante do tráfego, que prejudica a sustentabilidade da agricultura canavieira em termos de custo de produção e conservação do solo. Com a modernização da agricultura, o peso dos equipamentos e a intensidade de uso do solo aumentaram drasticamente, com alteração de suas propriedades físicas, tais como aumento da densidade e da resistência à penetração.

A aplicação do vinhoto como fertilizante é muito comum, e praticamente todo vinhoto é reciclado. Um dos impactos negativos mais relevantes refere-se ao efeito do ânion sulfato no solo. A presença de sulfato em destilarias de etanol de cana-de-açúcar é resultante do emprego de ácido sulfúrico na fermentação.

Grande número de estudos relacionados com a lixiviação e possibilidades de contaminação de águas subterrâneas pela reciclagem do vinhoto indicam que pode haver impactos danosos para aplicações superiores a 300 m3/ha/ano. De acordo com Macedo (2005), produz-se de 10 a 15 litros de vinhoto por litro de etanol, dependendo de características da cana e seu processamento; considerando a produtividade média atual de 6.000 litros de etanol por hectare, haveria uma produção de vinhoto de 60 m3/ha/ano a 90 m3/ha/ano, volumes bem inferiores ao limite de 300 m3.

Oportunidade (Opportunity): Tráfego controlado e desenvolvimento tecnológico

O conceito de tráfego controlado[link pag - cap2], dentre outras funções que exerce, visa solucionar o problema da compactação dos solos. Uma análise bastante simples desse ciclo vicioso de energias gastas em sucessivas operações de compactação e descompactação leva ao conceito de tráfego controlado; este consiste na separação das áreas usadas para o desenvolvimento das plantas daquelas usadas para o tráfego dos equipamentos.

Outra oportunidade refere-se ao desenvolvimento tecnológico para a remoção biológica do sulfato por meio de biodigestão anaeróbica. O sulfato removido pode ser reciclado e utilizado na produção de ácido sulfúrico.